O ciclo do ouro e do diamante foi responsável por
profundas mudanças na vida colonial. Em cem anos a população cresceu de 300 mil
para, aproximadamente, 3 milhões de pessoas, incluindo aí, um deslocamento de
800 mil portugueses para o Brasil. Paralelamente foi intensificado o comércio
interno de escravos, chegando do Nordeste cerca de 600 mil negros. Tais
deslocamentos representam a transferência do eixo social e econômico do litoral
para o interior da colônia, o que acarretou na própria mudança da capital de
Salvador para o Rio de Janeiro, cidade de mais fácil acesso à região
mineradora. A vida urbana mais intensa viabilizou também, melhores
oportunidades no mercado interno e uma sociedade mais flexível, principalmente
se contrastada com o imobilismo da sociedade açucareira.
Embora mantivesse a base escravista, a sociedade
mineradora diferenciava-se da açucareira, por seu comportamento urbano, menos
aristocrático e intelectualmente mais evoluído. Era comum no século XVIII, ser
grande minerador e latifundiário ao mesmo tempo. Portanto, a camada socialmente
dominante era mais heterogênea, representada pelos grandes proprietários de
escravos, grandes comerciantes e burocratas. A novidade foi o surgimento de um
grupo intermediário formado por pequenos comerciantes, intelectuais, artesãos e
artistas que viviam nas cidades
O segmento abaixo era formado por homens livres
pobres (brancos, mestiços e negros libertos), que eram faiscadores,
aventureiros e biscateiros, enquanto que a base social permanecia formada por
escravos que em meados do século XVIII, representavam 70% da população mineira.
Para o cotidiano de trabalho dos escravos, a
mineração foi um retrocesso, pois apesar de alguns terem conseguido a liberdade,
a grande maioria passou a viver em condições bem piores do que no período
anterior, escavando em verdadeiros buracos onde até a respiração era
dificultada. Trabalhavam também na água ou atolados no barro no interior das
minas. Essas condições desumanas resultam na organização de novos quilombos,
como do rio das Mortes, em Minas Gerais, e o de Carlota, no Mato Grosso. Com o
crescimento do número de pequenos e médios proprietários a mineração gerou uma
menor concentração de renda, ocorrendo inicialmente um processo inflacionário,
seguido pelo desenvolvimento de uma sólida agricultura de subsistência, que
juntamente com a pecuária, consolidam-se como atividades subsidiárias e
periféricas.
A acentuação da vida urbana trouxe também mudanças
culturais e intelectuais, destacando-se a chamada escola mineira, que se
transformou no principal centro do Arcadismo no Brasil. São expoentes as obras
esculturais e arquitetônicas de Antônio Francisco Lisboa, o
"Aleijadinho", em Minas Gerais e do Mestre Valentim, no Rio de
Janeiro.
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